Eduardo Costa

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 O vírus pode ser útil

19/03/2020 às 07:50

Fiz questão de pesquisar. Os vírus são do tamanho de 1 milionésimo de milímetro. Visíveis somente com auxílio de microscópios eletrônicos.

É preciso filosofar: como pode, algo tão pequeno, sem poder nuclear ou robótico, alarmar o mundo todo? 

Nós que sempre temíamos a terceira grande guerra, estamos de joelhos diante de algo invisível, cruel, fatal, cuja circulação não pode ser contida pelos maiores exércitos, os radares mais espetaculares ou as tecnologias mais surpreendentes. Derruba as bolsas, para a indústria, fecha as lojas, esvazia aeroportos, suspende todos os esportes, imobiliza o transporte público e obriga cientistas a dizerem que não sabem.

Os mais céticos e lunáticos dirão: histeria!

Os muito crentes vão lembrar que é resposta ao mundo sem juízo;

Para os políticos, o importante é salvar o povo e vencer a eleição;

Para os líderes religiosos, a falta de explicações está na falta de fé;

Quem ama futebol vê a vida sem graça; quem não vive sem boteco se pergunta até quando e quem precisa do freguês todo dia se desespera ante ao incerto.

Que vírus é esse? 

Pode ser coisa do demônio, mas, sem dúvida, também tem seu lado bom: a poluição diminuiu, os pais estão com os filhos, o trabalho já não é tão prioritário e o shopping está fechado, para ricos e pobres, negros e brancos, zona Sul e periferias. 

O corona nos obriga a pensar em família, valorizar a verdadeira convivência, entender a importância da babá e da conversa com o filho; nos acorda para a solidariedade, pois, afinal, se o patrão trabalha em casa e não dispensa a empregada, ela pode trazer a doença; hoje, o risco do banqueiro e do morador de rua é o mesmo, embora o segundo tenha mais consciência e, provavelmente, o da rua tenha mais imunidade...

Na verdade, o maior ensinamento é o respeito à fé, porque tragédias escancaram o quanto somos pequenos, falíveis, desprotegidos e mortais. Infectados pelo vírus da falsa importância, da beleza ilusória, da fama passageira.

O “corona” vai passar e, quem sabe, a gente não se acostuma a uma vida mais contida, refletida, humilde, pois, afinal, como estão dizendo no zap-zap “Quem não está confuso, não está bem informado”. 

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